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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Incorrigíveis!

João-Afonso Machado, 25.04.11

Admito haja ainda quem não goste de José Afonso. Simplesmente porque "Grândola, Vila Morena" é o hino que é, o PREC foi o que foi, existem outros cravos para além dos vermelhos... e a atitude política continua, entre nós, a orientar-se pelas regras próprias da clubite futebolística.

Ouvi este fim de tarde, com prazer, repousantemente, José Afonso. Uma colectânea inteira das suas melhores baladas. Sem querer saber das suas convicções políticas - onde já vai o PREC... - e curioso apenas em descortinar se, tantos anos depois, Portugal é realmente importante para os portugueses. Melhor dizendo: para a nossa classe política, destinatária dos nossos votos.

Isto após a inédita iniciativa de Cavaco Silva, convidando ao discurso todos os seus antecessores. Terá valido a pena o esforço?

Respondeu primeiro Carvalho da Silva, em crítica acesa que, dos quatro, só poupou Jorge Sampaio. Vá lá adivinhar-se porquê...

Depois o PCP (Bernardino Soares), rejeitando quaisquer consensos políticos que nos coloquem no "buraco". Leia-se: que envolvam negociações com o FMI e a UE.

Por fim, Sócrates, candidamente afirmando-se o campeão da concertação, em evidente ataque aos partidos da Oposição. À saída de Belém!

Incorrigíveis!, eles são incorrigíveis!, para parafrasear o druída Panoromix, já que tantas foram os autores citados pelo Gen. Eanes na sua alocução.

 

Evocações

João-Afonso Machado, 25.04.11

Conheci Pedo Feytor Pinto ainda nos meus anos de Universidade. Rabiscava, então, umas crónicas para o Primeiro de Janeiro, de que ele era o director. Regularmente me deslocava à Rua de Santa Catarina, por isso, a entregar-lhe em mão as minhas folhas A4 dactilografadas.

Era ainda a primeira metade da Década de 80, a tempestade política não amainara completamente. Sá Carneiro fora assassinado, a AD esboroara-se, imperava o Bloco Central. A minha escrita contra o Regime usava palavras duras, radicais. Reaccionárias.

Feytor Pinto lia os textos diante de mim, ria-se, coçava a cabeça e recomendava moderação. Mas publicava. Até porque não escondia a sua simpatia pelo Ideal Monárquico.

Nunca mais o encontrei. E hoje descubro no Expresso uma sua entrevista e a notícia de um seu recente livro de memórias - "Na Sombra do Poder" - que lerei com agrado. Foi o homem que personificou as negociações entre Marcelo Caetano e Salgueiro Maia e Spínola, em 25 de Abril de 1974.

De resto, não me passou despercebida a sua opinião (nessa entrevista) sobre Marcelo, provávelmente "em democracia um grande primeiro-ministro". Quem sabe? Adelino da Palma Carlos não o foi apenas porque a Esquerda começou a trepar e ele lidava mal com a desordem. E, depois de Sócrates, só mesmo em autocracia se poderá encontrar um chefe de governo mais intransigente.