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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Antero de Quental

João-Afonso Machado, 18.04.11

Há 169 anos nascia em S. Miguel, Açores, Antero de Quental. O sonetista genial, um filósofo marcante, um espírito de paixões e desilusões. Uma vida inteira de sofrimento que o conduziria à imortalidade entre os nossos maiores. Geralmente - e mal-intencionadamente - interpretado de modo distorcido. Senão porquê, leia-se este excerto de uma sua carta a Lobo de Campos, seu amigo e contemporâneo na Universidade coimbrã:

«Creio que teremos República em Portugal, mais ano, menos ano; mas francamente não a desejo, a não ser de um ponto de vista todo pessoal, como espectáculo e ensino. Então é que havemos de ver o que é atufar-se uma nação em lama e asneira. Falam da Espanha com desdém - e há de quê - mas eles, os briosos portugueses, estão destinados a dar ao mundo um espectáculo republicano ainda mais curioso: se a República espanhola é de doidos, a nossa será de garotos».

Eça de Queiroz, seu admirador incondicional, chamava-lhe Santo Antero. Além de santo, Antero era também, como se vê, profeta.

 

Tempo pascal

João-Afonso Machado, 18.04.11

Têm a cor da Semana Santa e são elemento fundamental nos tapetes de flores à entrada, para receber o compasso. As glicínias chegam com a Páscoa. Mais ou menos como a Primavera, os ninhos, as rãs e as lagartixas. E são como um apelo nestes dias, mais vagarosos, porventura mais meditativos. Regresso à terra. Com papel bastante para avançar no meu escrito actual. Com uma boa reserva de leitura. Com a cana de pesca, também.

E com alguma esperança. Ainda não sei bem de quê e porquê. Talvez de que todos ressuscitemos. Portugal precisa de ressuscitar e a época é propícia.