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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Gordura (ainda) é formosura?

João-Afonso Machado, 15.04.11

Esbodegada, disforme. Monstruosamente. Despida e sem dar que vestir à prole. Irracional, dir-se-ia, sem distinguir o verde do encarnado - hesitando, eternamente, entre avançar ou ficar queda. Abancada, quando devia saltar, lutar, sobreviver.

É a República portuguesa. Hoje governada pela Troika. Gente de fora que bisbilhota e decide cá dentro. E manda recados para Helsínquia e para os outros esmoleres.

 

No Sabor

João-Afonso Machado, 15.04.11

Meirinhos, freguesia do concelho do Mogadouro. Em pleno coração transmontano. Daqui a dois anos, esta paisagem não mais será do que uma vaga recordação afogada na albufeira da barragem do Baixo Sabor. Já em construção.

Estranhamente, mesmo os assanhados ambientalistas organizados mantém um silêncio comprometedor em relação a mais este crime contra a Natureza. Perpetrado num rio nascido em Portugal e afluente do Douro, considerado o mais selvagem, e aglutinador de uma variedade ímpar de flora e fauna. Aí são presentes o lobo e a lontra e abundam os javalis e os corços. E em cujos pegos se multiplicam as trutas, e os barbos, na transparência dos seus fundos de areia.

Tudo submergirá. As margens transformar-se-ão em abismos. As encostas em lodo. O ar puro em águas diluvianas. Onde decerto não faltará, a seu tempo, o toque burguês da lancha ou da mota aquática.

Como em tantos outros casos, o breu das albufeiras tragará a nossa consciência. Na inquietante impossibilidade de uma alma que não se revê na limpidez do Sabor de sempre, nos aromas e contornos que o ladeiam.