Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

La Lys

João-Afonso Machado, 09.04.11

MONUMENTO GG.JPG

«O acrescento do poder combatente nominal de Estados menores - de Portugal (que se tornou participante em Março de 1916), da Roménia e até da Itália - não melhorou a força dos Aliados mas, pelo contrário, diminuiu-a, na medida em que os inevitáveis insucessos que sofreram acabaram por obrigar à diversão de recursos para os enquadrar» (John Keegan, The First World War, págs. 346-350).

 

Foi isso! A participação portuguesa na I GG obedeceu apenas aos propósitos egoístas do Partido Republicano (ou Partido Democrático, como então se intitulava), interessado - numa época em que a República portuguesa metia água por multiplas frinchas - em assegurar o reconhecimento diplomático da Grã-Bretanha e em afastar para longe do território nacional os oficiais e as tropas que, a todo o momento, se podiam sublevar e pôr termo à sua prepotência.

Da parte dos ingleses, até à última foi contrariada a vontade intervencionista do Governo republicano português. Sabiam que, do nosso lado, só poderiam contar com contigentes mal armados e pouco preparados. Até cederem face à insistência dos «democráticos» cá da terra.

E assim foi constituido o Corpo Expedicionário Português (CEP). Com a manha política dos afonsistas e a valentia e abnegação dos soldados portugueses. Com quase nada mais.

De desgraça em desgraça, o CEP viu-se envolvido na batalha de La Lys. A 9 de Abril de 1918. Resultado final: 2.000 baixas, entre mortos, feridos e prisioneiros.

(A 4ª Brigada, do Minho, constituida por Infantaria de Braga, Guimarães e Viana do Castelo foi a que mais perdas sofreu).

Enfim, a nossa ida à guerra custou-nos, a final, 8.300 vidas. Mais difícil será contabilizar os feridos, estropiados e gazeados...

E para quê? Porquê?...

A mais mortífera e escusada hecatombe em que os portugueses alguma vez participaram é hoje, pela hipocrisia republicana, comemorada como um acto heróico, quiçá democrático, anti-imperialista. Uma façanha, enfim.