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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Última hora: a culpa é do "cartão de cidadão"

João-Afonso Machado, 23.01.11

Parece que foram detectadas algumas anómalias na utilização do cartão de cidadão, impeditivas do voto do respectivo titular. É, de momento, o argumento principal para uma abstenção superior a 50% - um record absoluto! - nestas Presidenciais. Pelo menos, do que resulta da análise do PS e do BE...

Entretanto, na RTP1, os comentadores António Vitorino e Rui Rio, filosofam sobre a certeza da reeleição crónica dos recandidatos, apontando como exemplo o caso ido de Jorge Sampaio. Unicamente Rio foi capaz de ir mais longe - o que está em causa é a imagem do Regime perante os portugueses.

Diga a verdade toda, Rui Rio. Diga-a, porque não a desconhece: os portugueses, cada vez mais, estão descrentes, saturados, da República. Desta hipócrisia pseudo-democrática e corrupta.

E depois, homem íntegro que é, disponibilize-se para se candidatar à chefia do Governo. Por Portugal!

 

Frios corredores vazios

João-Afonso Machado, 23.01.11

Deixei-me ficar nas redondezas do velho D. Manuel, o Liceu a que hoje chamam Rodrigues de Freitas. (Chamam, sem conseguir retirar lá do alto da fachada o nome, em relevo, d'El-Rei, o seu nome de baptismo). Onde votam agora os eleitores da freguesia de Cedofeita, Porto.

Fui passeando, ia e vinha, espreitava. Contrariando o usual, em outros momentos congéneres, o movimento era quase nenhum. E o entusiasmo, se existente sempre bem visivel - nenhum. Como nenhum foi o sacrifício da espera à boca das urnas.

Os corredores do D. Manuel desconheciam em absoluto o desconforto das filas e dos apertões. A maçada da espera.

Ainda dei uma ajuda, tal a velocidade a que dobrei em quatro um papel sem um risco. Até para que a mesa percebesse - lá marchava mais um voto em branco.

Vamos esperar pelos Açores. Está quase. Ou muito me engano, ou - para utilizar uma expressão tão em voga - estas eleições serão a cereja no topo do bolo comemorativo do centenário da República...

 

Memória da Tortuga

João-Afonso Machado, 23.01.11

Vá lá saber-se porquê, hoje trago na ideia o Afonso Costa... Esse nome, esse símbolo; ou essa expressão, essa denúncia. Talvez aquele por quem mais Portugal é o que hoje choramos seja.

Em leituras recentes (concretamente, o Nobre Povo, de Jaime Nogueira Pinto), dei-me conta de alguns episódios, tão picarescos quão sinistros, da sua ruindade vivida. A seguinte comparação de JNP deve vir - ainda mais - a público.

Na sequência do movimento conspirativo de 28 de Janeiro de 1908, é sabido, Afonso Costa foi preso. Ele próprio relata o almoço do seu terceiro dia de clausura, "esplêndido", mandado vir do "Tavares por preço elevado". E a ementa - "uma omolete aux fines herbes, linguado frito com batatas cozidas, costeletas de vitela com batatas, espinafres, queijo da Serra, pão, maçã, laranja e tangerina". Mais uma pouca de amena conversa com os oficiais da cadeia, de onde saltou fora logo após o Regicídio.

Chega a República. Instala-se o Costa e o seu fanatismo, a sua crueldade. Logo em 1911, um antigo sargento, Joaquim Augusto de Almeida, é encarregado de levar duas cartas de Paiva Couceiro a dois oficiais de Artilharia 3, em Santarém. São cartas políticas, é certo, mas o portador ignora tal facto. Um dos oficiais, já adesivado ao novo Regime, entra em histeria de zelo. O resultado final: o desgraçado Almeida, um simples criado de um lavrador ribatejano, é julgado no famigerado Tribunal das Trinas e condenado a "seis anos de prisão maior celular, seguida de dez anos de degredo, ou na alternativa vinte anos de degredo em possessão de segunda classe" (ou seja, em qualquer buraco esconso do Ultramar).

Duas décadas antes, João Chagas, um dos responsáveis pelo 31 de Janeiro, fora condenado a seis anos de degredo (menos 14 do que Almeida!) pena essa, de resto, posteriormente perdoada.

Dir-me-ao onde, éticamente, se situa, em tudo isto, a ditadura e a democracia.