Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Bom fim-de-semana!

João-Afonso Machado, 15.01.11

Vou à terra. Falaram-me de lá, na passada terça-feira, a saber se ainda era vivo. Que não dera mais sinais, andavam aflitos, os meus. Por isso, vou. Já mandei recado, não digo os sinos me recebam a repicar, mas prevejo um almoço em grande. E o alarido dos rapazes, é sempre o mesmo ladrar delirante, ainda eu estou no ínicio do estradão (a contar buracos para não dar cabo da suspensão...) e já ninguém tem mão neles, aos saltos, a morderem-se, às unhadas...

E vou na minha máquina. Andamos os dois pela mesma idade. O meu Pai, nessa altura, não sei o que lhe deu na cabeça, trabalhou por conta de outrém. E o patrão entregou-lhe o Ford Anglia, para as suas deslocações. Mas, é claro, o Pai foi sempre, e só, um homem do campo. Não tardou, regressava à lavoura, trazendo consigo o carrito, que jeito dava, nas idas à vila, ao mercado.

Nas minhas aflições - também nunca me entendi a trabalhar para os outros - o Pai vendeu-me barato o Anglia, ainda muito certinho do motor, mas já com a lata a acusar o peso dos anos. Isso foi pouco antes da reforma do Zé Chapeiro, apresentei-lho na oficina, e só lhe roguei não se esticasse muito no preço do serviço.

Um bom homem, o Zé Chapeiro. Até deixou eu pagasse em cinco prestações e, sem dúvida, esmerou-se na empreitada. Vendo melhor, se calhar esmerou-se demasiado. É claro, lá em casa a nossa bandeira é azul-branca - mas, obviamente, de um azul não tão cueca!

E daí... Estando nós, portugueses, todos de tanga, a cor tem afinidades, simbolismo. Há que ser solidário! Pelo menos, assim me justificaria, se tudo isto fosse verdade.