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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

O PS reduz o Metro Mondego a centímetros

João-Afonso Machado, 07.01.11

A Lusa Atenas está em pé-de-guerra. O Governo de Sócrates palmou-lhe o seu ansiado Metro-Mondego, uma obra já em curso. Fontes próximas do Executivo garantem tratar-se, apenas, de uma decisão que visa evitar a carestia e a fome - do Estado, evidentemente.

Na mais conseguida manifestação de seu natural egoísmo, os cidadãos conimbricences revoltaram-se. Concretamente, as muitas centenas de utentes do antigo ramal da Lousã, a quem foi criada e mantida a expectativa desse meio de transporte moderno e acessivel.

E, atrevidamente, decidiram não se resignar. Desde logo, apelando ao boicote das eleições presidenciais.

Mas, certo, certo, é a romagem a Lisboa, onde cantarão as janeiras sob as janelas da residência oficial do primeiro-ministro. Já amanhã. E far-se-ão acompanhar dos Reis Magos e respectivas oferendas ao Menino. A saber: pedaços de madeira das solipas, ferro dos carris e pedras das balastras da linha.

(Acerca deste último aspecto, os manifestantes pedem a reserva possivel: Sócrates foi já informalmente avisado da iniciativa; porém, conta ser presenteado com oiro, incenso e mirra, na sua óptica o justo prémio dos seus esforços para salvar o mundo da dívida soberana portuguesa).

 

 

A minha relação com o dinheiro

João-Afonso Machado, 07.01.11

Tal como o balão de S. João, camaradas, o dinheiro requer chama. E, indómito, reclama por esse fogo que o consome e o eleva no ar. Assim, camaradas, como o dinheiro aspira ao espaço imenso, e pede ao vento que o leve e dele não traga notícias, assim também nós, camaradas, não temos o direito de o enclausurar nos nossos bolsos. O dinheiro exige a liberdade de não parar em mealheiro algum. Por isso, camaradas, sempre as moedas pingarão de algum lado, que a vida não está fácil.

Olhai, camaradas, o balão sobe nos céus e é já só um ponto luminoso, um eco, uma memória. Larguei-o da minha conta bancária, camaradas, sem lhe perguntar para onde ia, nem para que serviria. Eu não faço a gestão dos meus dinheiros, camaradas. Jamais fiz, jamais a farei. Eu confio no meu dinheiro, na sua solidariedade para com a minha causa, na luta que o meu dinheiro sempre travou para manter a minha dignidade.

Porque, camaradas, sempre as moedas pingarão de algum lado, que a vida não está fácil.

Sou um homem de princípios, camaradas. Sigo escrupulosamente a ética republicana e, todos sabem, não me resigno ante o peso do destino. Por isso, um dia virá que comprarei a Purdey. De fronte bem erguida ante a ignomínia das Sarrasquetas.

A minha candidatura nestas eleições, camaradas, visa justamente a defesa intransigente dos direitos sociais. Comigo na Presidência, a Purdey está encomendada e garantida.

Resistamos, camaradas, e desprezemos a mesquinha gestão das contas e dos dinheiros. Perguntei o saldo ao vento que passa, e ele respondeu - não há transferência que não se faça.

Tenho dito, camaradas.