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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Leitões é o que está a dar

João-Afonso Machado, 05.01.11

Foi novidade este Natal, lá para as bandas de Leiria e Rio Maior. Os amigos do alheio descobriram os prazeres da leitoada. Ou o preço que o bicho vai atingindo em épocas festivas. De modo que os números são claros: 1183 porcinos furtados, durante 2010, por quantas pocilgas pululam na região.

Sem embargo da sua juventude, todos nos interrogamos como foi possivel semelhante saque, conhecida que é a potência das suas cordas vocais. Um reco é um reco, que diabo! Multiplique-se por aquela elevada cifra o incontornável chiqueiral - e a conclusão impressiona, tal o modorra, o sono de chumbo, dos estremenhos.

Finalmente, a GNR capturou (no último dia do ano!) dois meliantes; traziam com eles doze animais desviados de uma exploração pecuária perto de Alcobaça. Graças ao mau tempo e à sua viatura atolada na lama...

As autoridades, entretanto, já garantiram, em comunicado às alvoroçadas gentes lesadas, aumentar a vigilância e tomar as mais medidas necessárias ao esclarecimento dos misteriosos assaltos às suiniculturas.

Vamos confiar. A Páscoa é logo depois deste (permanente) Carnaval e a cotação do leitão na Bairrada ultrapassará, então, estonteantemente, a do barril do petróleo. A Associação dos Produtores Agrícolas da Região de Rio Maior já apelou à constituição de vigilantes e implacáveis mílicias populares. Para complementar o zelo das ditas autoridades.

E, bem vistas as coisas, se Lynch enforcava quem roubasse um cavalo, porque não aplicar a mesma medida a quem desvia uma dúzia de porcos?

 

Gente realmente importante

João-Afonso Machado, 05.01.11

Conheci-o no seu Cofre Verde, na R. de S. Julião, em plena Baixa lisboeta. O Sr. Manuel Pereira, por sua vez muito lesto a apresentar-me um magnífico cabrito assado pela sua arte.

Como logo transparece, não é um alfacinha de gema. Nasceu em Cerva, Ribeira de Pena, e comigo recordou o seu berço, as minas de Jales, Vila Pouca de Aguiar... As castanhas e o frio, o inverno daquelas serranias. Veio para Lisboa, aos 13 anos, em busca de trabalho e cumpriu escrupulosamente um plano quinquenal de não voltar à terra. Não o consentiu o exigentíssimo emprego encontrado...

Lisboa tomou conta dele. Durante década e meia serviu no Martinho da Arcada. Constituido o inevitável pé-de-meia, estabeleceu-se por conta própria naquele espaço a que os amigos - a mandar lenha para a fogueira - também chamam Melancia: verde por fora e benfiquista por dentro.

Passes mágicos do Eusébio e da época gloriosa das águias... mas não as do Marão. E proeza maior foi a de uma senhora alentejana, em cujo cantinho natal o Sr. Manuel Pereira tenciona cumprir, um dia, a sua velhice. O casamento trocou as voltas às suas origens. Acontece, às vezes.