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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

A verdade vem sempre à tona

João-Afonso Machado, 12.12.10

Eu podia aproveitar o ensejo e contar aqui uma grande mentira. Nada menos do que algum empolgante lance ocorrido nos Açores, na Bretanha, senão com fantasmas multisseculares, pelo menos com um vulcão desvastador, ou um naufrágio assassino. Mas é feio faltar à verdade. E nada me garante não haja Internet em Foz Côa e, certamente, um entusiasta grupo de seguidores do CF. A denunciar-me. Daí o meu comedimento. Eram oito da manhã e o termómetro acusava 3º C. Em plena freguesia de Chãs, depois de muito caracolear em estradões de terra batida, ainda na Região Demarcada do Vinho do Porto.

Foram, então, penosas horas de marcha em que as vinhas eram uma felicidade só comparável às vias rápidas. No mais, montes acima, as giestas e as pedras soltas nelas escondidas infernizaram-nos o corpo, a roubarem aos nossos excessos gastronómicos o bastante para neles reincidirmos depois. Logo ao almoço, claro.

No que as pernas perdiam de forças, ganhava o espírito em alento, como se o purificássemos em reputadíssima lavandaria. No final da manhã, o mundo revestia-se já de outras cores. De outra forma de encarar a vida.

 Como se demonstra. As vides aguardam agora a indispensável poda. As oliveiras fartam-se de largar azeitona, tanta é a pancada que estão levando. Nas Chãs há ainda abundância de mel, figos e amêndoas. E não me consta reine por lá qualquer mercearia. Tudo se traz directamente do produtor.

Antigamente era assim, aqui e em muito mais. Agora... vou assistir, de retorno à civilização, às notícias da noite. A mais um episódio do Sócrates, Alegre & Cª - ilimitada.