Tardes calmas, brevíssimas
Dei pela escuridão agora mesmo e espantei-me. Olhei para o relógio - é verdade!, a hora mudou a noite passada. O inverno avança sem rebuço. Já paira no ar o cheiro a rabanadas e as cameleiras principiam a florir.
E as tardes correm calmas. A própria Crise, dir-se-ia ter recolhido a uma toca qualquer. Aonde? Em que empoliticado blogue? Nas poucas horas em que o sol abre mão de alguma luz - bem molhada, por sinal - o Minho vai-nos presenteando com as suas cores da época.
Percorro com a memória as estações do ano e sinto a dificuldade enorme de eleger a mais bela. Talvez seja mesmo a outonal, por essa diversidade, pelos cambiantes, pelo calmo andar da natureza, sempre a caminho da renovação. Com um breve intervalo, quase aí, - o verão de S. Martinho. Os magustos, outra patuscada para esquecer as maleitas nacionais - a não ser que os esquilos se antecipem, também esfomeados, e nos levem as castanhas todas. Ainda hoje topei um, sentado num souto, equilibrado na sua repolhuda cauda e abrindo um ouriço com invejável e eficaz habilidade...

