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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Contra os canhões cantar, cantarolar

João-Afonso Machado, 28.10.10

Já veio a terreiro dizer a sua campanha custará menos 500.000 euros do que a de Cavaco Silva. É assim mesmo! Quer queiram, quer não, o homem cujo perfil melhor se enquadra na Presidência da República portuguesa.

Por isso, votem nele. Votem todos, que eu não consigo. Lamentavelmente.

Ali onde o vemos, não é num outdoor exuberante, mas na capa de um seu livrinho. Poupadinho, como Teixeira Gomes, seu antecessor e seu guru, gostava do bom pitéu e de tudo o mais que fosse bom, porque o bom é o belo e o belo é cultura.

São, precisamente, boutades destas que escasseiam em Portugal e na revitalização anímica dos portugueses. Umas trovas para combater e crise. Uns poemas ditos - benditos! - à multidão em fúria para receber os salários em atraso. Algo de ousado, sem números maçadores, histórico e épico. Naquele tom grave de deputado, secretário de Estado já ninguém se lembra de quê, retórico por vocação e de profissão.

Eram assim os Presidentes na 1ª República, essa que cultivava as virtudes éticas que Alegre pretende fazer renascer das cinzas - porque não o conseguiu até agora? - e, à boleia delas, salvar a Nação.

Além de que - um Presidente, um Governo, uma Maioria... Sim, de preferência da cor camaleónica das gentes que mais contribuiram para a desgraça a que chegámos. Apanhá-los a todos na mesma fotografia e ampliá-la em outdoor. Não passaria despercebida aos portugueses, seria, sem dúvida, despesa pertinente.

Mas o nosso terrível bom-senso impedir-nos-à, junto à mesa de voto, de conseguir tão nítido retrato de como temos de nos espalhar ao comprido para depois, finalmente, nos levantarmos de vez.

 

 

Contra-relógio ético

João-Afonso Machado, 28.10.10

Não invoquemos Joaquim Agostinho. Mas faz de conta que acompanhamos um Tour importante. Uma competição regulada pela denominada Transparência Internacional (TI). A corrida é contra a corrupção, e Portugal participa, num cômputo de 178 países. Diria, atletas oriundos de quase todo o planeta. Pois bem: a prova não demora um mês apenas - prolonga-se por anos e anos.

Mais: o juri foi baptizado - Índice de Percepção de Corrupção (IPC). E vem medindo, pelo menos, desde 2000 para cá. Indiciando.

É por isso que, à data, apenas são apresentáveis os resultados de 2009, onde Portugal ocupa um "honroso" 35º lugar. Entre as soberanias mais corruptas, é claro. No exacto lugar a que estamos habituados no ciclismo. Num lugar calmo, continuado e continuando, da tabela. À moda do José Azevedo ou do Acácio Silva das bicicletas - ao menos meritórias bicicletas - não manchadas pelo doping. Isso é sabido. Como sabido é, certas são, as contas da TI. Avaliadas, na formulação do IPC, com base em "leis herméticas", num disfuncional aparelho de Justiça e na inépcia do combate contra a fraude.

É um caso em que podiamos ambicionar o 1000º lugar, por exemplo. Dar a vez à rapaziada que corre no tartan da macacada. Deixando as arábias ganhar.

Mas não. Vamos subindo a descer na escala dos países limpos. Estranha situação esta que o cidadão-republicano-candidato presidencial Manuel Alegre, a seu tempo, nos há de explicar. Em nome da sua - nossa?, nacional? - proclamadíssima Ética. Republicana. Sobretudo nesta última década do fatal século português.