Contra os canhões cantar, cantarolar
Já veio a terreiro dizer a sua campanha custará menos 500.000 euros do que a de Cavaco Silva. É assim mesmo! Quer queiram, quer não, o homem cujo perfil melhor se enquadra na Presidência da República portuguesa.
Por isso, votem nele. Votem todos, que eu não consigo. Lamentavelmente.
Ali onde o vemos, não é num outdoor exuberante, mas na capa de um seu livrinho. Poupadinho, como Teixeira Gomes, seu antecessor e seu guru, gostava do bom pitéu e de tudo o mais que fosse bom, porque o bom é o belo e o belo é cultura.
São, precisamente, boutades destas que escasseiam em Portugal e na revitalização anímica dos portugueses. Umas trovas para combater e crise. Uns poemas ditos - benditos! - à multidão em fúria para receber os salários em atraso. Algo de ousado, sem números maçadores, histórico e épico. Naquele tom grave de deputado, secretário de Estado já ninguém se lembra de quê, retórico por vocação e de profissão.
Eram assim os Presidentes na 1ª República, essa que cultivava as virtudes éticas que Alegre pretende fazer renascer das cinzas - porque não o conseguiu até agora? - e, à boleia delas, salvar a Nação.
Além de que - um Presidente, um Governo, uma Maioria... Sim, de preferência da cor camaleónica das gentes que mais contribuiram para a desgraça a que chegámos. Apanhá-los a todos na mesma fotografia e ampliá-la em outdoor. Não passaria despercebida aos portugueses, seria, sem dúvida, despesa pertinente.
Mas o nosso terrível bom-senso impedir-nos-à, junto à mesa de voto, de conseguir tão nítido retrato de como temos de nos espalhar ao comprido para depois, finalmente, nos levantarmos de vez.
