Políticas económicas e de sobrevivência
Creio que já não é o tempo do nosso proverbial sentido de humor. A coisa é séria. E inconclusiva. Só aturei, nas notícias da noite, a discursata do Secretário-geral do PSD, Miguel Relvas. Deixei-me ir ouvindo... Aquela longa explicação dos orgãos do Partido, que não há meio de eu decorar, as sucessivas tentativas de aproximação às propostas do Orçamento delineado pelo PS. O fracasso da negociação, obviamente causado pela inflexibilidade dos antagonistas...
Somente, gostei de um pormenor: o PSD iria divulgar, para apreciação dos eleitores, o teor dessas mesmas propostas. Digo eu: quem abre o jogo, não tem razões para temer... Além de que, ao que consta, a laranjada estivesse disposta para transigir nos aumentos do IVA e quanto aos benefícios fiscais restringidos.
(Um-zero, a favor da laranja-mecânica).
Depois apareceu o ex-ministro Catroga. Está cansado, a idade não perdoa. E invocou um facto: as negociações debruçar-se-iam sobre o plano orçamental na generalidade. O mais ficaria para a discussão parlamentar, na especialidade.
(É verdade! - dois-zero).
A seguir, coube o verbo ao PS. Isto é, a retórica negativa daqueloutra. Que era preciso cumprir as metas orçamentais; mais o drama da Sra. Merckel; além, fatalmente, do despachar de responsabilidades para o vizinho oposicionista.
(Aqui mantenho o dois-zero, embora fazendo vista grossa sobre um penalti roubado aos vice-campeões).
É claro, logo de seguida, a notícia de que os mercados financeiros já estavam a cuspir em cima de Portugal...
Em suma: dá para entender que o PS já foge para o bunker. E que os sofredores somos nós, os mexilhões. Pessoal, toca a tratar da horta. Cá para o Norte arrendam-se terrenos a preços módicos.

