O coelho pascal
O Governo continua, afincada e profícuamente, batalhando pela rejeição do Orçamento de Estado. O Governo não é inconsciente e não esquece o devir nacional, nem a sua própria pele. A solução, ponderaram os governantes, está em sairem já - mas nobremente. E sossegadamente. Que é como quem diz, sem dívidas e dilacerados por queixumes. Crucificados. Porque arriar a bandeira, sem mais, seria pouco digno, o revés da façanha outubrina de Machado dos Santos. É necessária uma despedida chorosa nesta Ericeira constitucional.
Logo o plano surgiu devidamente gizado. Um orçamento intolerável, uma Oposição intolerante e tola. Um chumbo, uma bala governamenticida. Acertando em cheio no coração do OE. Deixando aos autores do atentado a responsabilidade de assumirem as rédeas da coisa pública.
Trocando por miúdos: aproveitar o embalo. Passos Coelho? - dás a alma pelos direitos do povo ante a Administração Fiscal? Pois toma lá a batata. Está mais do que quente - ferve. Aguenta aí a revolta, as greves, o diabo!
E assim o Governo embarca na demissão. Na sua Ericeira, mas sem querer rumar o Norte da reconquista. Seguindo apenas, aparentemente, a rota constitucional: a nomeação dum sucessor de iniciativa presidencial, a ausência de mareantes independentes, a capitania entregue ao capitão da principal nau opositora.
Sempre à espera do seu afundamento. E da queda em desgraça do Almirante Cavaco, tragado também pelas águas revoltas..
Com a Primavera, alcançado o oceano dito Pacífico, o Partido Socialista ressurgirá. Mesmo que os piratas do FMI já tenham tomado conta da nossa Tortuga. Não interessa - a memória do povo é curta. É mesmo possivel que o Barba-Sócrates, surja outra vez à frente da esquadra, como se nada fosse. A distribuir ovos de Páscoa por essas maltas que (na Tortuga) sempre viverão de expedientes.

