São mais do que os chineses
Estão por toda a parte. Nos jornais, em placards às costas de homenzinhos que se passeiam nas ruas, em prospectos distribuidos aos transeuntes. E, cada vez mais, sobre a entrada de lojas onde, ainda há pouco, se comerciava honestamente roupa, livros, etc.
Naquele jeito desastrado de Vasco Santana, ou nos maneirismos de António Silva, o tema era sempre bem apanhado e divertido. O preguiçoso, o boémio, o burguesinho aflito que corria com a sua cebola e respectiva corrente à loja de penhores. Pró desenrasca... Mas, desta feita, não é de fitas a preto-branco que se trata. É de dramas autênticos e vividos entre nós e ao nosso lado. Os dramas de tantas famílias que se vêem obrigadas a desfazer-se dos seus bens mais valiosos para proverem ao sustento de pais e filhos, dos desempregos e dos estudos.
Pôr o anel ou o fio de ouro no prego. Um gesto novamente muito em voga. Neste moderníssimo Portugal do século XXI. O século I da República.
Lá por fora, entre muros do mundo global? Assim também rejuvenescido tão antigo costume?
Connosco a coisa promete. Até porque os portugueses se preparam para pagar mais impostos, receber menos salário e suportar preços em ascenção nos supermercados.
E quiçá não estará aí mais uma especialização a desenvolver no âmbito das Novas Oportunidades: a de prestamista. Com os portugueses a venderem e comprarem, reciprocamente, os adereços herdados dos avós ou oferecidos pelos padrinhos, ninguém dirá mais não haver circulação de bens. Ou que a economia nacional estagnou...

