Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

"Quando o telefone toca"

João-Afonso Machado, 22.11.11

Li há dias, numa revista, uma crónica evocativa deste programa radiofónico de tão saudosa memória. No qual, muito certeiramente, se frisava o seu inovadorismo publicitário e o seu contributo para uma certa forma de democratização da música.

Era assim: o ouvinte principiava por dizer a frase do dia (ou melhor: da noite) naturalmente ligada a algum produto comercial. Por exemplo (e assim de repente, relacionada com uma marca de fogões); "Em cada casa uma cozinha, em cada cozinha um Junex". Porta aberta - então expressaria a sua preferência em discos, num leque amplíssimo em que se abanavam Amália, Max, António Mourão, Artur Garcia, lado a lado com os Rolling Stones, os Deep Purple, por entre miríades de Tordos, Patxis, Cides ou Demis Roussos.

"Posso dizer o meu nome?" - inquiria a ouvinte. Claro que podia. E a intervenção concluia com muitos beijinhos para o namorado, a afilhada, o tio, a amiga. Dedicatórias...

Era, diariamente das 22.30 às 23 horas. Quando, no mundo rural, os televisores se contavam pelos dedos da mão e quase sempre sem novidade a animar aquelo cinzento preto-branco.

E tanto tanto recordo - curioso! - o locutor (o Matos Maia, julgo eu) trabalhava o desenho em cima do joelho, quase sem rede. Sujeito às imprecauções de quaisquer. Outros tempos... Não reza a história o invectivassem

- Filho da p..., vai à merda!,

ou, grosseiramente, lhe desligassem o telefone na cara.

Nada. Matos Maia afirmava o seu programa quotidianamente, sem ataques e sem rancores. Sem medo, portanto.

 

 

 

2 comentários

Comentar post