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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

De partida (para onde?).

João-Afonso Machado, 04.11.11

Em anos idos passeávamos tardes inteiras, eu e o Pai, nos campos onde o gado pastava pachorrentamente – o Pai montando uma égua sorraia que descobrira na feira de Famalicão (uma boa escola de manhas, diga-se) e baptizara de Alentejana; eu, uma outra égua de consagrado ferro lusitano, branca, Maestra de seu nome, antes pertença de um capataz numa coudelaria do Sul.

Era um trotezinho inocente, uma conversa troteada, a semear a curiosidade entre as torinas, sempre dadas ao leite, incapazes de alcançar como alguém se alçara para o lombo de uns semelhantes seus. A mugirem de espanto, talvez de medo, não fosse acontecer-lhes igual desdita…

Saudosos momentos que mais nos prendem à nossa terra, onde o nosso sangue se enraizou há já tantas gerações de avós. E o tempo sempre no seu incansável compasso, a não consentir agora o Pai cavalgue mais; a mim mesmo desviando as minhas atenções, os meus afazeres, para outros capítulos. A equitação ficou para os mais novos, os cavalos são deles.

Mas porquê o doce sabor destas memórias, logo hoje que deixo o Minho por três dias? Porquê?

Talvez porque desconheça o estado – nervoso, mas manso, incapaz de escoicear, como a Maestra? - em que encontrarei esse meu recanto no regresso…