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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Sobre Antero

João-Afonso Machado, 07.10.11

Seis anos antes da sua morte, Antero de Quental deu por finda a sua poesia. Não conseguira, explicou então, os seus sonetos chegassem às gentes, fosse lidos ou escutados pelo mundo que o rodeava. Esse mundo que ele sonhara, acima de todas as suas dramáticas dúvidas, transformar numa sociedade justa e humana.

Assim emergia um novo período, de muita escrita filosófica. Antero percebeu que a vida carecia de ideias porque as ideias construiriam uma vida nova. Sem o triunfo de um Ideal seria o fim…

A filosofia foi, antes do desespero, a sua derradeira arma, esgrimindo o que apelidou a “força social” do pensamento, em busca da definição do “espírito de uma civilização”.

Jamais deixando de se escorar na ideia fundamental da liberdade, Antero aproximou-se claramente de Proudhon e do seu prontuário socialista, nunca abrindo mão de um discurso realista-idealista.

Idealista porque confiante no potencial das ideias. Realista porque conhecedor da massa de que todos somos feitos… O seu socialismo significava, no fundo, apenas solidariedade. Logo, justiça. Ou seja o que mais falta nos dias que vamos vivendo.

Quão desprezível seria para Antero a estafada polémica em volta do “Estado social”! Quanta revolta mais não lhe provocaria um Poder que, a pretexto do apoio aos cidadãos, os afoga em tributação para custear os agentes dessa hipócrita intervenção!

 

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