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MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

MACHADO, JA

A minha escrita, a minha fotografia, o meu mundo

Das "Memórias de um Átomo"

João-Afonso Machado, 16.04.11

«Foi, de resto, comentadíssima a forma desonrosa como o Governo terminou os seus dias. Sabia-se que as Forças Armadas andavam descontentes, conspirativas, após três meses sem vêr a cor ao soldo. E o Presidente do Ministério, obsessivamente, não cuidando de encontrar uma palavra de conforto, um vestígio de solução.

De modo que o golpe de Estado se tornou inevitável. Oriundas de todo o território nacional, as tropas convergiram para a capital. Ocupando os centros decisórios e obrigando o Governo a refugiar-se no quartel do Carmo. Belém, como já se esperava, manteve-se neutral e o Parlamento há muito encerrara.

A fuga era agora inevitável. Mas para onde, com os aeroportos da Portela e de Alcochete, controlados pelos revoltosos, e o da Ota àquela distância? E o TGV paralisado? E a chaimite da tradição sem comparecer?

- Não deixarei o poder cair na rua!,

clamava José Sócrates, na sua eterna teimosia. E Santos Silva corroborava o chefe, os olhinhos pisqueiros, atrás as lunetas,

- Vamos exterminá-los!,

embebido ainda numa biografia de Himmler lida recentemente. Lacão chorava e exigia um colete à prova de balas. Sem isso, jurava não pôr o nariz fora de porta e, na realidade (e não obstante os esforços de Isabel Alçada), acabou saindo arrastado e a espernear.

O Pedro inquiria pela milésima vez:

- E agora Zé?,

mas foi Luis Amado, sempre fleumático, quem acabou por desenrascar toda a gente, após um breve e cortês telefonema:

- Está tudo arranjado. Um dos submarinos do Portas, surto no Tejo, leva-nos embora.

Muitos pensaram que teriam rumado a Madeira. Mas Alberto João apressou-se a desmentir o boato:

- A Região Autónoma jamais receberá essa corja!!!

O destino secreto do Governo seria depois tornado público. Foi principescamente recebido na Venezuela: Chavez não esquece os seus amigos».

 

(Com a devida autorização do meu Amigo J. da Ega, a quem muito agradeço).

 

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